terça-feira, 19 de janeiro de 2010

TURCOMENISTÃO: ASPECTOS GERAIS DO TURCOMENISTÃO

MAPA DO TURCOMENISTÃO
BANDEIRA DO TURCOMENISTÃO

GEOGRAFIA – Área: 488.100 km². Hora local: +8h. Clima: árido frio. Capital: Ashkhabad. Cidades: Ashkhabad (800.000), Turkmenabat (ex-Chärjew) (220.000), Dashhowuz (180.000), Mary (130.000), Balkanabat (ex-Nebitdag) (125.000) (2010).


POPULAÇÃO – 5,3 milhões (2010); nacionalidade: turcomana; composição: turcomanos 73%, russos 10%, uzbeques 9%, cazaques 2%, outros 6%. Idiomas: turcomano (oficial), russo. Religião: islamismo 87,2%, sem religião 9%, outras 2,4%, ateísmo 1,4%. Moeda: manat turcomano.


RELAÇÕES EXTERIORES – Organizações: Banco Mundial, CEI, FMI, ONU. Embaixada: 2207, Massachusetts Avenue NW, Washington D.C. 20008, EUA; e-mail: turkmen@earthlink.net, site na internet: turkmenistanembassy.org.


GOVERNO – República presidencialista. Div. administrativa: 5 regiões subdivididas em distritos. Presidente: Saparmyrat Niyazov (Partido Democrático do Turcomenistão) (desde 1990, reeleito em 1992, com o mandato prorrogado pelo Parlamento em 1999). Partido: Democrático do Turcomenistão (único legal). Legislativo: unicameral – Assembléia, com 50 membros. Há ainda o Conselho do Povo, com 65 membros eleitos, 50 membros da Assembléia, funcionários do governo e representantes de todos os distritos do país, num total de cerca de 2,5 mil integrantes. Constituição: 1992.


O Turcomenistão situa-se na costa do mar Cáspio, onde está uma grande reserva de petróleo quase inexplorada. O deserto de Karakum ocupa 80% do território e assenta-se sobre imensas jazidas de gás natural, a principal fonte de receita do país no comércio exterior. A construção de um grande canal – o Karakumskiy – a partir do rio Amu Dária, iniciada nos anos 1950, permite irrigar grandes áreas, ampliando a agricultura, mas provoca efeitos ambientais catastróficos sobre o mar de Aral, que está diminuindo. Independente desde 1990, com a desagregação da União Soviética (URSS), a nação vive sob um regime autocrático, centrado no culto à personalidade do presidente Niyazov.


HISTÓRIA

Na Antiguidade, a região é incorporada a vários impérios: Persa, Macedônico, Árabe. O povo turcomano se forma por volta do século XI, a partir da fusão de tribos turcas com grupos autóctones. Entre os séculos XV e XVIII, as tribos do sul caem sob domínio persa, enquanto as do norte se tornam vassalas dos canatos (reinos) uzbeques de Khiva e Bukhara.Em 1869, a Rússia ocupa o território. Depois da Revolução Russa, uma força contra-revolucionária, apoiada pelos britânicos, resiste às tropas soviéticas até 1920. O Exército Vermelho ocupa o país, em 1924, e o Turcomenistão é integrado à URSS. Pela primeira vez na história, o país adquire unidade política. A coletivização forçada das terras transforma a economia, que passa de pastoril (nômade) a agrícola. A construção do imenso canal de irrigação de Karakumskiy estimula a agricultura desde os anos 1970.


Independência – Em agosto de 1990, o Soviete Supremo (Parlamento) declara a soberania do país. O comunista Saparmyrat Niyazov é eleito presidente. A economia entra em declínio, pois o Turcomenistão tem dificuldade para escoar a produção de gás. Seu único gasoduto atravessa o território russo, sendo a Ucrânia e a Federação Russa os principais importadores. O país, freqüentemente, não é pago pela Ucrânia. Também se desentende com os russos sobre o valor do produto. Em 1997, o Turcomenistão inaugura gasoduto para escoar a produção para a Europa via Irã e Turquia. A nação firma compromisso em 2000 para construir outro gasoduto até o Paquistão, atravessando território afegão. Em 2001, o ex-ministro das Relações Exteriores Boris Shikhmuradov anuncia, na Federação Russa, a formação de uma frente de oposição no exílio. Em 2002, o presidente Niyazov sai ileso de uma tentativa de assassinato. O governo acusa a oposição. Shikhmuradov, que havia retornado ao país, é acusado e condenado à prisão perpétua. Mais 46 pessoas são condenadas.


Gasoduto – Em 2002, o país acerta com o novo governo do Afeganistão a construção de um gasoduto em direção ao Paquistão, o que permite à nação negociar melhores condições para a venda do gás aos russos. Niyazov rompe, em 2003, um acordo de dez anos com a Federação Russa e determina que os russos com dupla nacionalidade escolham apenas uma. Temendo a perda de direitos, muitos deles saem do Turcomenistão. Em outubro de 2004, o presidente anuncia anistia para 9 mil presos políticos. No mês seguinte, Niyazov encontra o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, para assinar tratados de cooperação, encerrando anos de relação conflituosa. Dois anos antes, Niyazov havia acusado o governo uzbeque de participar do atentado a sua vida.


Presidente impõe culto à personalidade

O presidente Saparmyrat Niyazov promove um culto à personalidade que leva ao extremo a prática inaugurada pelo ditador soviético Josef Stálin (1924-1953). Em 2002, ele chega a mudar o nome dos meses do ano para incluir referências a sua pessoa. Janeiro passa a ser chamado de Turkemenbashi ("Pai de todos os turcomanos"), título que Niyazov se atribui. Abril ganha o nome de sua mãe, Gurbansoltan-edhze, e setembro vira Rubkhnama, ou "Renovação Espiritual", título de um livro do ditador.Niyazov justifica a mudança pela suposta necessidade de criar uma identidade cultural turcomana. Ele tem o rosto estampado em todas as cédulas de dinheiro, garrafas de vodca e pacotes de chá. Niyazov já baniu o teatro, o balé, o circo e o uso da barba – e impõe o pagamento de um imposto a todo homem de outra etnia (mesmo nascido no Turcomenistão) que se case com uma turcomana. Em 2004 anuncia o plano de construção de um castelo de gelo numa das áreas mais quentes do planeta. Promove celebrações baseadas no slogan "Um Deus (Alá), uma Pátria, um Líder". O Conselho do Povo aprova a Presidência vitalícia para Niyazov. Ele marca eleições para 2008, mas os partidos de oposição estão proibidos.

TURQUIA: ASPECTOS GERAIS DA TURQUIA

MAPA DA TURQUIA
MAPA DA TURQUIA

GEOGRAFIA – Área: 779.452 km². Hora local: +5h. Clima: mediterrâneo (litoral e S) e temperado continental (N). Capital: Ancara. Cidades: Istambul (9.000.000), Ancara (3.300.000) (aglomeração urbana), Izmir (2.320.000), Bursa (1.270.000), Adana (1.200.000) (2010).


POPULAÇÃO – 75 milhões (2010); nacionalidade: turca; composição: turcos 80%, curdos 18%, árabes 1,5%, outros 0,5% . Idiomas: turco (oficial), curdo. Religião: islamismo 97,2%, sem religião 2%, outras 0,7%, ateísmo 0,1%. Moeda: lira turca.


RELAÇÕES EXTERIORES – Organizações: Banco Mundial, FMI, OCDE, OMC, ONU, Otan. Embaixada: Tel. (61) 242-1850, fax (61) 242-1448 – Brasília (DF); e-mail: emb.turquia@conectanet.net.br.


GOVERNO – República parlamentarista. Div. administrativa: 81 províncias. Partidos: da Justiça e Desenvolvimento (AK), Republicano do Povo (CHP), da Ação Nacionalista (MHP), Caminho Verdadeiro (DYP). Legislativo: unicameral – Grande Assembléia Nacional Turca, com 550 membros. Constituição: 1982.

O mais ocidentalizado dos países de população muçulmana, a Turquia procura estreitar laços com a Europa. Sua adesão à União Européia (UE), porém, vem sendo adiada pelo bloco há duas décadas. Entre os obstáculos estão situações internas de violação aos direitos humanos, o conflito com a Grécia na ilha de Chipre e a intensa repressão aos separatistas do Curdistão, que já deixou cerca de 30 mil mortos desde os anos 1980. O território turco espalha-se por dois continentes: Europa e Ásia. A porção européia – apenas 3% da área – separa-se da asiática pelo estreito de Bósforo. A estratégica passagem entre o mar Negro e o mar Egeu divide Istambul (antiga Constantinopla) em duas. Metrópole cultural do país e ponto de contato entre o Ocidente e o Oriente Médio, a cidade conserva as marcas das civilizações que a ocuparam. Templos de divindades greco-romanas convivem com a arte bizantina e o estilo islâmico, com destaque para a antiga Catedral de Santa Sofia e a Mesquita Azul. As montanhas irregulares com seus cumes cobertos de neve e as praias ensolaradas estimulam o turismo.


HISTÓRIA

Na Antiguidade, diversos povos ocupam a região da Anatólia, atual Turquia. A cidade de Bizâncio, fundada pelos gregos no século VIII a.C., é conquistada pelos romanos no fim do século I da Era Cristã. Em homenagem ao imperador Constantino, a cidade passa a se chamar Constantinopla e vem a ser a sede do Império Bizantino entre 395 e 1453. Nesse ano, é conquistada pelos turcos, que dão a ela o nome de Istambul. O domínio turco marca a queda do Império Bizantino. Originários provavelmente do norte da China, os turcos convertem-se ao islamismo no século XI e criam, posteriormente, o Império Turco-Otomano, que se estende do rio Indo ao mar Mediterrâneo e dura do fim do século XIII ao início do XX. Seu nome faz referência a Otman I, que, por volta de 1300, amplia o domínio da fé islâmica com a desintegração das fronteiras do Império Bizantino. Sob o domínio turco-otomano, Istambul torna-se a capital do mundo.


Apogeu do Império – O apogeu do Império se dá no reinado de Solimão I, o Magnífico. Ele sobe ao poder em 1520 e leva o domínio turco às portas de Viena, na Áustria, depois de chegar aos Bálcãs, alcançar a região da Criméia, o mar Negro, algumas ilhas gregas e o Oriente Médio. No fim do século XVII, tem início a decadência. No decorrer do século XIX, o Império começa a se desintegrar. A repressão a reivindicações autonomistas – como o genocídio de 600 mil a 1,5 milhão de armênios em 1915 – não evita seu progressivo desmembramento. A derrota na I Guerra Mundial leva à perda das possessões no Oriente Médio e na África.


Ocidentalização – Após o armistício, cresce o movimento nacionalista liderado por Mustafa Kemal, militar reformista que adota o codinome Atatürk (pai dos turcos). Em 1920, ele derrota os gregos que haviam invadido o país e modifica o Tratado de Sèvres, que impõe restrições à soberania turca. Em outubro de 1922, o sultanato é abolido, e, no ano seguinte, a República é proclamada. Atatürk elege-se presidente e governa ditatorialmente até a morte, em 1938. Suas medidas favorecem a modernização e a ocidentalização do país: abolição da poligamia, substituição do direito islâmico por legislação de feitio ocidental, imposição do casamento civil, adoção do alfabeto romano e anulação, em 1928, do artigo constitucional que declarava ser o islamismo a religião do Estado. Ismet Inönü, colaborador de Atatürk, sucede-o na Presidência até 1950. Nesse ano, a primeira eleição livre realizada no país é vencida pela oposição.


Golpes militares – Em 1974, um golpe liderado por oficiais gregos na ilha de Chipre leva a Turquia a intervir no país sob o pretexto de proteger os interesses da população de origem turca. Chipre ainda está dividido em duas zonas: greco-cipriota e turco-cipriota. Nos anos 1970 e 1980, o processo democrático na Turquia é interrompido por golpes militares. Realizam-se eleições em 1983, mas prosseguem as violações à democracia.


Islamismo e democracia – Em 1996, o Partido do Bem-Estar (RP) – fundamentalista islâmico – é o mais votado nas eleições parlamentares e forma um governo liderado por Necmettin Erbakan. Pressionado pelos militares, que fazem campanha contra a interferência da religião nos assuntos de Estado, em 1997, Erbakan renuncia. No mesmo ano, a Turquia tem seu pedido de entrada na União Européia (UE) recusado por desrespeito aos direitos humanos e à democracia. Em fevereiro de 1998, o Tribunal Constitucional torna ilegal o RP e suspende os direitos políticos de Erbakan por cinco anos, sob a acusação de romper a laicidade do Estado.


Reformas econômicas – Eleições parlamentares em abril de 1999 dão a vitória ao Partido da Esquerda Democrática, de Bulent Ecevit, que governa com o apoio dos conservadores. Ecevit prossegue com as reformas econômicas para capacitar o país a ingressar na UE. Os planos do governo são abalados por um terremoto, em agosto, com epicentro em Izmit (nordeste), que mata cerca de 14 mil pessoas. Em 2000, o Parlamento elege o novo presidente, Ahmet Necdet Sezer, independente e defensor do Estado laico. Uma investigação do governo sobre fraude em dez bancos expõe a vulnerabilidade do setor financeiro turco e é o ponto de partida para uma crise financeira internacional em 2001. A lira turca perde valor, os preços sobem e investidores retiram capital do país. O Fundo Monetário Internacional (FMI) lança um pacote de ajuda de 10 bilhões de dólares.


União Européia – Ainda em 2001, o Parlamento aprova 34 mudanças na Constituição, entre as quais a abolição da pena de morte e a flexibilização em relação ao uso do idioma curdo, para aumentar a chance de a Turquia tornar-se membro da UE. O Código Civil é alterado, para que os direitos das mulheres sejam equiparados aos dos homens. A UE não inclui, no entanto, a Turquia na lista dos países que integram o bloco em 2004, por não cumprir todos os requisitos.


Vitória islâmica – Numa ofensiva contra os fundamentalistas, a Corte Constitucional bane, em 2001, o Partido da Virtude, acusado de minar o Estado não-religioso. Parte de seus 102 deputados, a maior bancada da oposição na Grande Assembléia Nacional Turca, funda o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK). Em 2002, oito ministros renunciam para forçar o primeiro-ministro, Ecevit, a convocar eleições antecipadas. Nas eleições, o AK obtém 363 das 550 cadeiras do Parlamento, embora seu líder, Recep Tayyip Erdogan, tivesse sido proibido de exercer cargos públicos, acusado de ameaçar o secularismo. Erdogan afirma que, apesar da orientação islâmica de seu partido, não haverá mudança de rumo nas reformas pró-ocidentais e pró-mercado. Ele indica o vice-presidente do AK, Abdullah Gul, como primeiro-ministro. Um mês depois, o Parlamento devolve a Erdogan plenos direitos políticos. No início de 2003, uma eleição local para substituição de um deputado conduz Erdogan de volta ao Parlamento. Dois dias depois, Gul renuncia ao cargo de primeiro-ministro para que Erdogan possa assumi-lo.


Guerra e terrorismo – No início do governo de Erdogan, o Parlamento se recusa a permitir que os Estados Unidos (EUA) instalem no país 62 mil soldados como parte dos preparativos para a invasão do Iraque. O primeiro-ministro apóia a vinda das tropas, mas seu pedido é rejeitado pelos deputados. Como represália, os EUA cancelam um pacote de ajuda de 30 bilhões de dólares. O Parlamento então acaba permitindo a passagem de aviões militares norte-americanos pelo país. Os EUA elogiam a medida e liberam um pacote de 9,4 bilhões de dólares. Em novembro de 2003, o país é vítima do terrorismo islâmico. No dia 15, 25 pessoas morrem em ataques suicidas, reivindicados pela rede terrorista Al Qaeda, contra duas sinagogas em Istambul. Cinco dias depois, dois veículos-bomba são lançados contra alvos britânicos na cidade. As explosões matam o cônsul britânico e mais 27 pessoas. O governo turco, aliado dos EUA e de Israel, diz que seguirá combatendo o terrorismo.


Aproximação com a UE – Em 2004, os atentados não cessam totalmente, mas a Turquia avança em sua aproximação com a União Européia. Em janeiro, o país assina protocolo rejeitando a pena de morte em qualquer circunstância. Reforma também sua moeda, implantando a nova lira, ao cortar seis zeros da lira turca. A economia apresenta bom desempenho. O espaço para os direitos dos curdos se amplia em junho, quando a TV estatal faz as primeiras transmissões na língua curda e quatro ativistas curdos são soltos. Em setembro, um novo código penal é aprovado, permitindo um combate mais efetivo à violência contra as mulheres e a tortura, queixa sistemática da UE. Em outubro de 2004, a Comissão Européia aprova o início das conversações com a Turquia para sua entrada na comunidade, decisão que ainda teria de ser submetida à cúpula da UE.


Turquia faz concessões aos curdos

Maior etnia sem Estado do mundo, com 26 milhões de pessoas, os curdos habitam uma vasta região, que extrapola as fronteiras da Turquia, denominada por eles de Curdistão, abrangendo também áreas no Iraque, Síria, Irã, Armênia e Azerbaidjão. São majoritariamente muçulmanos sunitas, organizam-se em clãs e, em algumas regiões, falam o idioma curdo. A partir de meados do século XX ocorrem rebeliões na Turquia e no Iraque e surge o projeto de um Estado curdo na região. O governo dos dois países reprime com violência os separatistas.


Curdistão turco – O principal grupo separatista, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), dá início, em 1984, à luta armada contra o governo turco — que não reconhece a existência da etnia curda e proíbe o uso de seu idioma. O líder máximo do PKK, Abdullah Öcalan, é preso por forças especiais da Turquia em 1999 e condenado à morte. Mas a decisão gera protestos em vários países. O governo turco, pressionado pela União Européia, atende a uma reivindicação histórica dos curdos ao liberar parcialmente o ensino da língua curda, em 2001. Em 2002, em conseqüência da abolição da pena de morte na Turquia, a pena de Öcalan muda para prisão perpétua. O ataque militar dos EUA ao Iraque, em 2003, reacende o temor da Turquia de que os curdos iraquianos criem um Estado independente após o fim do regime de Saddam Hussein. Tropas turcas são deslocadas para a região. Mas o comando norte-americano, cumprindo promessa feita ao governo turco, impede que as milícias curdas do Iraque assumam o controle político da região.

TUVALU: ASPECTOS GERAIS DO TUVALU

MAPA DO TUVALU
BANDEIRA DO TUVALU
GEOGRAFIA – Área: 24 km². Hora local: +15h. Clima: equatorial. Capital: Fongafale (Atol Funafuti). Cidade: Fongafale (5.000) (2010).

POPULAÇÃO – 12 mil (2010); nacionalidade: tuvaluana; composição: tuvaluanos 92%, outros grupos polinésios 8%. Idiomas: inglês, tuvaluano. Religião: cristianismo 89,3% (protestantes 102,6%, outros 11,5% - dupla filiação 24,8%), sem religião 5,1%, outras 5,1%, ateísmo 0,6%. Moeda: dólar australiano.


RELAÇÕES EXTERIORES – Organizações: Comunidade Britânica, ONU. Embaixada: Missão Permanente de Tuvalu junto às Nações Unidas. 800, Second Avenue, suite 400B, New York, NY 10017, EUA.


GOVERNO – Monarquia parlamentarista. Div. administrativa: 9 ilhas. Chefe de Estado: rainha Elizabeth II, do Reino Unido, representada pelo governador-geral Faimalaga Luka (desde 2003). Primeiro-ministro: Maatia Toafa (desde 2004). Partidos: não há. Legislativo: unicameral – Parlamento, com 12 membros. Constituição: 1978.


O nome Tuvalu significa "oito unidos", na língua local, e simboliza as suas oito ilhas habitadas. Um dos menores países, Tuvalu fica no centro da Oceania, e seu território é formado por nove atóis de coral. Como nenhum ponto se situa a mais de 5 metros acima do nível do mar, Tuvalu corre o risco de submergir se houver aumento do nível dos oceanos em decorrência do efeito estufa. A maioria da população trabalha na pesca e na agricultura artesanal, cujo produto principal é o coco. São importantes fontes de renda as remessas de tuvaluanos que trabalham no exterior e a concessão do direito de uso de seu domínio na internet, ".tv".


HISTÓRIA

Os primeiros habitantes chegam provavelmente no século XIV, provenientes de Samoa. Os atóis que compõem Tuvalu eram inicialmente uma colônia espanhola denominada Ilhas de Laguna. Entre 1850 e 1875, milhares de habitantes são transformados pela Espanha em escravos no Peru e no Chile. Com o nome de Ilhas Ellice, tornam-se protetorado britânico em 1892. A possessão é unida a outro arquipélago, em 1915, ao formar a Colônia das Ilhas Gilbert e Ellice. Em 1975, as Ilhas Ellice, separam-se das Ilhas Gilbert (atual Kiribati). Em 1978 tornam-se independentes, com o nome de Tuvalu. A nação adota uma nova bandeira em 1995 e elimina dela o símbolo da Comunidade Britânica. A medida provoca insatisfação popular contra o primeiro-ministro Kamuta Latasi. Em 1996, um voto de desconfiança no Parlamento derruba Latasi, e Bikenibeu Paeniu é eleito para o cargo, restaurando a bandeira anterior. Paeniu renuncia em 1999 e é substituído por Ionatana Ionatana. Um acordo do uso do domínio .tv na internet, assinado em 2000, deve fazer o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescer mais de 50% em 12 anos. Ionatana morre em dezembro.


O Parlamento elege Saufatu Sopoanga para primeiro-ministro em 2002. Em junho de 2003, a oposição acusa Sopoanga de protelar a convocação do Parlamento para evitar a votação de uma moção de desconfiança contra seu governo. Em setembro, é indicado o novo governador-geral, Faimalaga Luka. Os parlamentares iniciam seu trabalho dois meses depois. Em agosto de 2004 é aprovada moção de desconfiança que põe fim ao governo de Sopoanga. O novo premiê eleito é Maatia Toafa.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

UCRÂNIA: ASPECTOS GERAIS DA UCRÂNIA

MAPA DA UCRÂNIA
BANDEIRA DA UCRÂNIA

GEOGRAFIA – Área: 603.700 km². Hora local: +5h. Clima: temperado continental. Capital: Kiev. Cidades: Kiev (2.625.000), Kharkov (1.480.000), Dnipropetrovs'k (1.080.000), Odessa (1.040.000), Donets'k (1.030.000) (2010).


POPULAÇÃO – 48,5 milhões (2010); nacionalidade: ucraniana; composição: ucranianos 73%, russos 22%, outros 5%. Idiomas: ucraniano (oficial), russo. Religião: cristianismo 83% (ortodoxos 54,3%, independentes 16,9%, outros 14,5% - dupla filiação 2,7%), sem religião 10,9%, ateísmo 4%, outras 2,1% . Moeda: hryvnia.


RELAÇÕES EXTERIORES – Organizações: Banco Mundial, CEI, FMI, ONU. Embaixada: Tel. (61) 365-3898, fax (61) 365-1457 – Brasília (DF); e-mail: brucremb@zaz.com.br, site na internet: www.ucrania.hpg.com.br.


GOVERNO – República com forma mista de governo. Div. administrativa: 24 províncias, 1 república autônoma (Criméia) e 2 áreas metropolitanas (Kiev e Sebastopol). Presidente: Viktor Yushchenko (desde 2005). Primeira-ministra: Yulia Tymoshenko (desde 2005). Partidos: coalizão Nossa Ucrânia (NU) (do Povo da Ucrânia, Congresso de Nacionalistas Ucranianos, entre outros), coalizão Por uma Ucrânia Unida (ZYU) (Popular Democrata da Ucrânia, dos Industriais e Empresários da Ucrânia, entre outros), Comunista da Ucrânia (PCU), Social Democrata Unido da Ucrânia (OSDPU), Socialista da Ucrânia (SPU). Legislativo: unicameral – Conselho Supremo, com 450 membros. Constituição: 1996.


A Ucrânia é o segundo maior país da Europa, atrás apenas da Federação Russa. O litoral no mar Negro, onde fica o movimentado porto de Odessa, garante acesso ao mar Mediterrâneo pelos estreitos de Bósforo e Dardanelos. Sob pressão internacional, o governo destrói as armas nucleares herdadas da extinta União Soviética (URSS). A antiga frota militar soviética, ancorada em Sebastopol, na península da Criméia, permanece na região, conforme acordo selado com a Federação Russa. Conhecida como o celeiro do antigo regime soviético, em virtude da grande produção de cereais, a Ucrânia desenvolve moderna atividade agrícola nas planícies férteis de terra negra. Há ricas reservas de carvão, ferro e manganês. Após o fim da URSS, o país vê cair sua produção industrial. Em 2004, a Ucrânia enfrenta grave crise política, com evidências de fraude na eleição presidencial, superada em dezembro com a anulação do segundo turno e uma nova votação, que dá a vitória ao candidata oposicionista, Viktor Yushchenko.


HISTÓRIA

A Ucrânia localiza-se no território inicial do Reino da Rússia, formado no século IX, em torno da cidade de Kiev. Eslavos, escandinavos e bizantinos fundem-se na cultura do novo reino, cristianizado no século X. Após a ruína dos principados russos, em razão das invasões mongóis nos séculos XIII e XIV, os ucranianos caem sob domínio polonês e lituano. Em 1667, a porção da Ucrânia a leste do rio Dnieper torna-se parte da Rússia, e a região a oeste é anexada pela Polônia. Com a partilha do território polonês, no século XVIII, a Rússia amplia seus domínios. Após a Revolução de 1905, na Rússia, o czar concede maior liberdade aos ucranianos e revoga a proibição do uso do idioma.


Comunismo – Nacionalistas de direita proclamam a independência durante a Revolução Russa, em 1917. Em 1920, os comunistas assumem o controle do país e perdem parte do território em confronto com a Polônia. Pelo Tratado de Riga, firmado em 1921, a parte ocidental do território é entregue à Polônia, à Tchecoslováquia e à Romênia. A região central e a oriental transformam-se, anos depois, na República Socialista Soviética da Ucrânia, parte da URSS.


Fome e morte – A fase inicial do poder soviético produz grande desenvolvimento. A Nova Política Econômica, adotada por Lênin, traz prosperidade aos camponeses. A partir de 1928, porém, cerca de 7 milhões de ucranianos morrem de fome na coletivização forçada da agricultura adotada por Josef Stálin. O período também é marcado pela repressão política. A ocupação nazista durante a II Guerra Mundial causa a morte de mais 7 milhões de pessoas. A vitória soviética em 1945 leva à reunificação das porções oriental e ocidental do país. Em 1954 é incorporada à Ucrânia a península da Criméia, cujos habitantes tártaros foram deportados para a Ásia Central por Stálin. O nacionalismo ganha força nos anos 1980 com as reformas do líder soviético Mikhail Gorbatchov.


Chernobyl – Em 26 de abril de 1986, uma explosão na usina nuclear de Chernobyl, no norte do país, lança na atmosfera enorme quantidade de material radioativo. O governo soviético oculta a dimensão do acidente, até que a radioatividade é detectada na Europa Ocidental. O acidente nuclear, considerado o pior da história, causa 10 mil mortes, e 135 mil habitantes abandonam a região. A usina, que fornecia 5% da energia elétrica consumida na Ucrânia, é posteriormente fechada. Seu último reator nuclear é desativado em 2000.


Independência – Em 1988 surgem vários grupos autonomistas, e, no ano seguinte, sucedem-se greves e manifestações. Em 1990, o Soviete Supremo (Parlamento) da Ucrânia declara a soberania do país. O fracasso do golpe de Estado promovido em Moscou pela linha dura soviética, em agosto de 1991, precipita a independência ucraniana, proclamada em 24 de agosto pelo Parlamento e ratificada por plebiscito popular em 1º de dezembro. Uma semana depois, o país participa, com a Federação Russa e Belarus, da criação da Comunidade de Estados Independentes (CEI).


Arsenal nuclear – Em 1993, o Parlamento estabelece a propriedade ucraniana sobre o arsenal nuclear da ex-URSS no território, mas concorda em limitar as armas estratégicas e desativar gradualmente as 1.656 ogivas nucleares do país. A decisão remove o principal obstáculo à entrada de capital ocidental. Em 1994, o candidato independente Leonid Kuchma vence as eleições presidenciais e inicia reformas econômicas liberalizantes. O Parlamento anula, em 1995, a Constituição da Criméia, república autônoma com população majoritariamente russa que buscava a incorporação à Federação Russa. Em 1997, Ucrânia e Federação Russa firmam acordo sobre a frota militar no mar Negro. Os russos ficam com 70% dos navios e arrendam parte do porto de Sebastopol (Criméia) para lhes servir de base. Em meio à transição para a economia de mercado, o Produto Interno Bruto da Ucrânia cai em média 9,3% ao ano entre 1990 e 2000.


Corrupção – O governo de Kuchma é abalado, a partir de 1999, por acusações de corrupção. Mesmo assim, o presidente é reeleito. Em 2000, um referendo aprova – com 81% dos votos – reforma constitucional que amplia os poderes da Presidência. As críticas a Kuchma crescem com a divulgação de gravações de supostas conversas entre o presidente e seus auxiliares, envolvendo-os no assassinato de Georgiy Gongadze, jornalista investigativo e feroz crítico do presidente.


Manifestações de rua em 2001 pedem a saída do presidente, mas, no Legislativo, Kuchma escapa do impeachment. Após o atentado terrorista de 11 de setembro, o país abre o espaço aéreo aos Estados Unidos (EUA) para o ataque ao Afeganistão. Em 2002, Kuchma pede o ingresso da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar ocidental, mas a organização pede antes reformas políticas, econômicas e militares no país.


Apoio à guerra – Kuchma e o presidente russo Vladimir Putin assinam em 2003 um acordo de definição de fronteiras, deixando pendente a decisão sobre o mar de Azov. Logo após o início da ofensiva anglo-americana contra o Iraque, a Ucrânia atende ao pedido dos EUA de enviar à região uma unidade militar especializada em guerra nuclear, química e biológica. Em 2004, o Parlamento decide retirar os soldados do Iraque.


Crise profunda – Em outubro de 2004 são realizadas as eleições legislativas e presidenciais. No segundo turno das presidenciais, em novembro, o oposicionista Viktor Yushchenko (Nossa Ucrânia) é batido pelo candidato governista, o primeiro-ministro Viktor Yanukovich, segundo a contagem oficial. Há evidências de fraude, e centenas de milhares de pessoas vão às ruas protestar, especialmente na capital, Kiev. A disputa expõe uma divisão entre a população ucraniana e a russa no país, criada desde a maciça migração de russos durante o período soviético. Yushchenko, ex-primeiro-ministro entre 1999 e 2001, defende uma aproximação com a União Européia. Yanukovich busca manter uma aliança prioritária com a Federação Russa. Diante da grave crise política, que ameaça cindir o país (Yushchenko é majoritário no oeste; Yanukovich no leste), a Suprema Corte anula o segundo turno e marca nova votação para 26 de dezembro. Nesse ínterim, o Parlamento reduz os poderes presidenciais. Na nova votação, Yushchenko vence. Yanukovich recorre à Justiça, mas renuncia no fim de dezembro. Viktor Yushchenko assume a Presidência em 23 de janeiro de 2005 e, em fevereiro, a primeira-ministra Yuliya Tymoshenko é aprovada por unanimidade pelo Parlamento.

UGANDA: ASPECTOS GERAIS DE UGANDA

MAPA DE UGANDA
BANDEIRA DE UGANDA

GEOGRAFIA – Área: 241.038 km². Hora local: +6h. Clima: equatorial de altitude. Capital: Campala. Cidades: Campala (1.230.000), Gulu (120.000), Lira (100.000), Jinja (92.000), Mbale (76.000) (2010).


POPULAÇÃO – 27,2 milhões (2010); nacionalidade: ugandense; composição: grupos étnicos autóctones 68,9% (hugandas 17,8%, tesos 8,9%, niancoles 8,2%, sogas 8,2%, gisus 7,2%, chigas 6,8%, langos 6%, ruandas 5,8%), outros 31,1%. Idiomas: inglês (oficial), línguas regionais (principal: luganda). Religião: cristianismo 88,7% (católicos 41,9%, anglicanos 39,4%, outros 8,3% - dupla filiação 0,9%), islamismo 5,2%, crenças tradicionais 4,4%, outras 1,1%, sem religião e ateísmo 0,6%. Moeda: xelim ugandês.


RELAÇÕES EXTERIORES – Organizações: Banco Mundial, Comunidade Britânica, FMI, OMC, ONU, UA. Embaixada: 5911, 16th Street NW, Washington D.C. 20011, EUA; e-mail: ugembassy@aol.com.


GOVERNO – República presidencialista (ditadura militar desde 1986). Div. administrativa: 39 distritos. Partidos: não há, suspensos desde 1986. Legislativo: unicameral – Parlamento, com 292 membros. Constituição: 1995.


Localizado na montanhosa região dos Grandes Lagos africanos, Uganda é o principal refúgio do gorila-das-montanhas, espécie ameaçada de extinção. As savanas cobrem a maior parte do território, e nas florestas existem comunidades de pigmeus. A presença de lagos – com destaque para o Vitória, o maior do continente – e dos cursos de água da alta bacia do Nilo favorece a geração de energia hidrelétrica e a agricultura, base da economia. O café responde pela maioria das exportações. A instabilidade política desde os anos 1970 desmantela parte da infra-estrutura produtiva do país, mas há recuperação nos últimos anos.


HISTÓRIA

Desde pelo menos o século X da Era Cristã populações ocupam a região da atual Uganda. Até o século XIX, há reduzido contato com o exterior. Em 1890, os britânicos passam a controlar o então Reino de Buganda, e, quatro anos mais tarde, a região torna-se protetorado do Reino Unido. Na I Guerra Mundial, o lago Vitória é cenário de batalhas navais entre britânicos e alemães. Depois de uma revolta, em 1949, o governo britânico concede autonomia gradual a Uganda. Em 1955, cria-se um Parlamento, e o Congresso Popular de Uganda, liderado por Milton Obote, passa a ser a principal força política. O país obtém a independência em 1962. Um ano depois se transforma em República, com Mutesa II como primeiro presidente.


Idi Amin Dada – Em 1966, Obote lidera um golpe e torna-se presidente. Ele bane os partidos de oposição em 1969. Em 1971, um golpe dirigido pelo general Idi Amin Dada, comandante das Forças Armadas, depõe Obote e dissolve o Parlamento. Seu regime se caracteriza pela feroz repressão aos opositores. Em 1978, as forças de Amin promovem fracassada invasão da Tanzânia, com o apoio da Líbia. Em reação, tropas tanzanianas ajudadas por exilados ugandenses ocupam Campala, a capital, em 1979, e Amin foge do país. Obote retorna à Presidência em 1980. No ano seguinte, a oposição inicia uma guerrilha contra o governo.


Novo presidente – Obote é deposto pela segunda vez, em 1985, num golpe militar que conduz o general Tito Okello ao poder. Em 1986, a guerrilha derruba Okello. Yoweri Museveni, líder de uma das facções rebeldes, o Movimento da Resistência Nacional (NRM), assume a Presidência e suspende os partidos políticos. Em 1989, Museveni estende seu mandato por mais cinco anos. Uma nova Constituição é promulgada em 1995. No ano seguinte, Museveni elege-se presidente, com 74,2% dos votos, e seus aliados obtêm maioria no Parlamento.


Conflitos – A tensão entre Sudão e Uganda, acusada de abrigar guerrilheiros cristãos sudaneses, leva ao fechamento da fronteira, em 1997. A oposição une-se na coalizão Forças Democráticas Aliadas (ADF), declarada ilegal pelo governo. Uganda intervém na guerra civil da República Democrática do Congo (RDC) – primeiro, ao lado de Laurent Kabila, que chega em seguida ao poder. Depois, Museveni rompe com Kabila e passa a apoiar milícias tutsis contrárias ao governo. O Parlamento de Uganda adota, em 1999, a Lei da Anistia, que devolve direitos políticos a parte da oposição. Em 2000, o regime realiza plebiscito, no qual 90,7% dos votantes optam por manter a proibição aos partidos políticos. Menos da metade do eleitorado, porém, participa do processo, boicotado pela maioria da oposição.


Em 2001, Museveni é reeleito, com 69,3% dos votos. Kiza Besigye, ex-comissário político nacional, vem a seguir, com 28%. Besigye diz que houve fraude. Nas eleições legislativas, a lista governista Movimento obtém mais de 80% dos 292 postos no Parlamento. A Organização das Nações Unidas (ONU) publica relatório no mesmo ano acusando Uganda e Ruanda de pilharem os recursos naturais da RDC e aponta a família de Museveni como beneficiária do crime. Em 2002, o país fecha um acordo de três anos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). No fim do ano, Museveni sela a paz com a Frente Nacional de Salvação de Uganda 2 (UNRF 2), grupo atuante havia 16 anos. Os rebeldes são incorporados às Forças Armadas e ao governo.


Rebeldes – Também em 2002, Uganda firma tratado com o Sudão para combater o Exército de Resistência do Senhor (LRA), que age na fronteira. O grupo pretende colocar Uganda sob preceitos bíblicos. Liderados pelo "profeta" Joseph Kony, os guerrilheiros seqüestraram mais de 20 mil crianças para usar como soldados e escravos sexuais. Após meses de combate, o Exército anuncia que matou metade dos 3 mil combatentes do LRA e que Kony se dispõe a negociar. Em 2003, as tropas de Uganda completam a retirada da vizinha RDC. Em fevereiro de 2004, combatentes da LRA matam mais de 200 pessoas em um campo de refugiados no norte de Uganda. Em resposta, o Exército ataca os rebeldes nos meses seguintes, inclusive no Sudão, matando centenas. Os conflitos prosseguem até o fim do ano, e há tentativas de negociação, mas não prosperam. Proibição a partidos Em junho de 2004, a Corte Constitucional julga nulo o plebiscito de 2000 que aprovou o veto aos partidospolíticos. O governo recorre, e o parecer é derrubado em setembro pela Suprema Corte de Uganda.

URUGUAI: ASPECTOS GERAIS DO URUGUAI

MAPA DO URUGUAI
BANDEIRA DO URUGUAI
GEOGRAFIA – Área: 176.215 km². Hora local: a mesma. Clima: subtropical. Capital: Montevidéu. Cidades: Montevidéu (1.400.000), Salto (105.000), Paysandú (95.160), Las Piedras (73.100) (2010).

POPULAÇÃO – 3,7 milhões (2010); nacionalidade: uruguaia; composição: europeus ibéricos e meridionais 88%, eurameríndios 8%, afro-americanos 4%. Idioma: espanhol (oficial). Religião: cristianismo 65,3% (católicos 78,2%, outros 9,1% - dupla filiação 4%, desafiliados 18%), sem religião 26,8%, ateísmo 6,3%, outras 1,6%. Moeda: peso uruguaio.


RELAÇÕES EXTERIORES – Organizações: Banco Mundial, FMI, Grupo do Rio, Mercosul, OEA, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (61) 322-1200, fax (61) 322-6534 – Brasília (DF); e-mail: urubras@emburuguai.org.br, site na internet: www.emburuguai.org.br.


GOVERNO – República presidencialista. Div. administrativa: 19 departamentos. Partidos: Colorado (PC), Nacional (Blanco), coalizão Frente Ampla-Encontro Progressista (FA-EP) (Partido Socialista doUruguai – PSU, Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, entre outros). Legislativo: bicameral – Senado, com 31 membros; Câmara dos Representantes, com 99 membros. Constituição: 1966.


Situado às margens do rio da Prata, no sudeste da América do Sul, o Uruguai tem seu território coberto por campos que integram os pampas, que também se estendem por Argentina e Brasil. Cerca de 90% da população vive em cidades, quase metade na capital, Montevidéu. A maioria dos uruguaios descende de europeus, e existem minorias de origem indígena e africana. O padrão de vida do país está entre os melhores da América do Sul: tem o terceiro melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A pecuária é o setor mais tradicional da economia, com destaque para a produção de lã e carne, responsável por 51% das exportações em 2001. A agricultura baseia-se no cultivo de cereais. O setor de serviços está em expansão, em particular o turismo – incentivado pelas praias de clima moderado, banhadas pelo oceano Atlântico.


HISTÓRIA

Até o século XVII, a região do atual Uruguai é habitada pelos índios charruas, chanaés e guaranis. Em 1624, os espanhóis criam uma colônia em Soriano. Em 1680, os portugueses estabelecem a Colônia de Sacramento, mas são expulsos pelos espanhóis, que, em 1726, fundam São Felipe de Montevidéu. Em 1776, a colônia torna-se parte do Vice-Reinado do Prata. Entre 1810 e 1814, José Gervasio Artigas lidera uma insurreição armada e domina Montevidéu. Com o apoio da Argentina, o território é invadido por tropas portuguesas, que acabam por derrotar Artigas, em 1816. Em seguida, o Uruguai é ocupado por novas forças, dessa vez uma aliança luso-brasileira, que resulta na anexação do território uruguaio ao Brasil, em 1821, sob o nome de Província Cisplatina. Um grupo conhecido como os 33 Orientais, liderado por Juan Antonio Lavalleja, proclama, em 1825, a independência uruguaia e, em 1827, com a ajuda de tropas argentinas, expulsa os brasileiros. A Inglaterra, interessada no comércio com a região, apóia, em 1828, a ratificação da independência uruguaia, o que resulta no Tratado do Rio de Janeiro.


Blancos e colorados – O crescente antagonismo entre colorados (liberais, sob a liderança de Fructuoso Rivera) e blancos (conservadores, chefiados por Manuel Oribe) provoca uma guerra civil entre 1839 e 1851. Inglaterra e França intervêm a favor dos colorados e a Argentina fica do lado dos blancos. O caudilho argentino Juan Manuel Rosas ordena a invasão do país, mas é deposto em 1852, e os invasores se retiram. Em apoio ao caudilho colorado Venancio Flores, em 1864 o Brasil intervém no Uruguai. Entre 1865 e 1870, o Uruguai participa, ao lado de Brasil e Argentina, da Tríplice Aliança, vitoriosa na Guerra do Paraguai. O presidente colorado José Batlle y Ordóñez (1903/1907 e 1911/1915) enfrenta a revolta dos blancos e controla a situação: nacionaliza os serviços públicos e cria o primeiro sistema de previdência social na América Latina. O temor de uma ditadura faz o Congresso abolir o cargo de presidente, substituído, em 1951, por um Conselho de Administração. Um referendo simultâneo às eleições de 1966, vencidas pelos colorados, restaura o presidencialismo. O declínio econômico provoca o aumento da inflação, protestos populares e a ação dos Tupamaros, guerrilheiros de esquerda surgidos em 1963. Eleito em 1971, Juan María Bordaberry fecha o Congresso em 1973 e instaura um regime repressivo, com o apoio dos militares. Em 1976, Aparicio Méndez o substitui.


Abertura – Em 1980, as Forças Armadas são derrotadas em plebiscito para referendar a nova Constituição, o que acelera a abertura democrática. Após o governo de transição do general Gregorio Álvarez, o colorado Julio María Sanguinetti vence as eleições de 1984. Em 1989 é aprovada em plebiscito a Lei do Ponto Final, que anistia os repressores da ditadura, e o blanco Luis Alberto Lacalle é eleito presidente. Ele adota uma política de privatizações, corte de gastos públicos e arrocho salarial, o que causa protestos.


Crise econômica – A economia segue estagnada, e o desemprego ultrapassa 10%. Acusações de corrupção levam à prisão, em 1996, do ex-ministro das Finanças Enrique Braga. Sanguinetti volta à Presidência em 1995 e obtém o apoio do Legislativo para aumentar impostos, cortar gastos públicos e reformar a Previdência. Em 1997, manifestantes exigem, nas ruas, investigações sobre o desaparecimento de 140 pessoas durante a ditadura, e o alto comando militar protesta contra a decisão de Sanguinetti de restituir os direitos militares a 41 oficiais afastados por motivos políticos nos anos 1970. A economia do país cresce 5,1% em 1997 e 4,3% em 1998. Em 1999, porém, crises econômicas no Brasil e na Argentina causam queda de 2,7% no Produto Interno Bruto (PIB).


Esquerda cresce – Em abril de 1999, o ex-presidente Lacalle (blanco), o senador Jorge Batlle (colorado) e o ex-prefeito de Montevidéu Tabaré Vásquez, da coalizão esquerdista Frente Ampla-Encontro Progressista (FA-EP), lançam-se candidatos à Presidência. Nas eleições gerais de outubro, a esquerda ameaça romper a hegemonia de colorados e blancos, com a vitória de Tabaré no primeiro turno, seguido por Batlle, e a conquista de maioria simples no Congresso. Os blancos apóiam Batlle no segundo turno, e ele vence com 52% dos votos, contra 44% de Tabaré. Batlle assume a Presidência em março de 2000. Em abril, destitui o comandante do Exército, o general Manuel Fernández, em virtude de sua declaração de que mais cedo ou mais tarde os militares terão de voltar a "combater o inimigo marxista-leninista". Em maio, a coalizão FA-EP ganha a eleição para o governo de Montevidéu. Colorados e blancos vencem nos 18 departamentos restantes. Em agosto, Battle instala a Comissão para a Paz, presidida pelo arcebispo Nicolás Cotugno, para investigar os crimes do regime militar. A Câmara aprova, em outubro, orçamento para o país que prevê a venda de 40% da companhia estatal de telecomunicações Ancel.


Em 2002, a economia do país é gravemente afetada pela crise na vizinha Argentina. Num esforço para evitar o contágio dessa crise, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprova crédito de aproximadamente 500 milhões de dólares ao Uruguai. O anúncio de pacote de medidas de ajustes causa protestos populares contra o governo. A crise se agrava em junho, quando o sistema bancário uruguaio sente os efeitos das retiradas por parte de argentinos que mantinham depósitos no país. Para evitar a quebra de bancos, o FMI e outros organismos aumentam o crédito ao Uruguai. O país tem acesso então a 1,5 bilhão de dólares. A crise social se agrava em 2003, com uma série de greves no setor de transportes. O Banco Mundial aprova em abril crédito de 250 milhões de dólares para o país. Em agosto, os sindicatos fazem uma greve geral de um dia em protesto contra os planos de privatização da empresa estatal Ancap, que exerce o monopólio do álcool, do cimento e dos combustíveis. Num referendo, em dezembro, 62% dos eleitores rejeitam a lei que autoriza o ingresso de capitais privados na estatal. A situação econômica da nação melhora em 2004, com a diminuição do desemprego (13,6%, em agosto) e o recorde na exportação de carne.


Esquerda no poder – Nas eleições presidenciais de 31 de outubro de 2004, o vencedor é o candidato da Frente Ampla, Tabaré Vázquez, que se torna o primeiro presidente de esquerda na história do país. Tabaré garante a vitória já no primeiro turno, em que obtém 50,4% dos votos, derrotando o candidato do Partido Blanco, Jorge Larrañaga (34,3%), e o do Partido Colorado, Guillermo Stirling (10,3%). Em suas primeiras declarações como presidente eleito, ele descarta mudanças profundas na política econômica após a posse, marcada para 1º de março de 2005.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

UZBEQUISTÃO: ASPECTOS GERAIS DO UZBEQUISTÃO

MAPA DO UZBEQUISTÃO
BANDEIRA DO UZBEQUISTÃO
GEOGRAFIA – Área: 447.400 km². Hora local: +8h. Clima: árido frio. Capital: Tashkent. Cidades: Tashkent (2.220.000) (aglomeração urbana), Namangan (390.600), Samarqand (380.300) (2010).

POPULAÇÃO – 26,7 milhões (2010); nacionalidade: uzbeque; composição: uzbeques 71%, russos 8%, tadjiques 5%, cazaques 4%, outros 12%. Idiomas: uzbeque (oficial), russo. Religião: islamismo 76,2%, sem religião 18,1%, ateísmo 3,5%, outras 2,3%. Moeda: sum.


RELAÇÕES EXTERIORES – Organizações: Banco Mundial, CEI, FMI, ONU. Embaixada: 1746, Massachusetts Avenue NW, Washington D.C. 20036, EUA; e-mail: emb@uzbekistan.org, site na internet: www.uzbekistan.org.


GOVERNO – República presidencialista. Div. administrativa: 13 regiões e 1 república autônoma (Karakalpakstan). Presidente: Islam Karímov (KDP) (desde 1990, reeleito em 1991 e em 2000). Partidos: Democrático do Povo (KDP), Nacional Democrático Fidokorlar, Progresso da Pátria (VT), da Unidade (Birlik) (na ilegalidade desde 1991). Legislativo: unicameral – Assembléia Suprema, com 250 membros. Constituição: 1992.


País do centro-oeste da Ásia com população majoritariamente muçulmana, o Uzbequistão tem grande parte de seu território ocupada por desertos e estepes secas. Ao contrário de outros povos da região, os uzbeques possuem longa tradição sedentária, ligada ao comércio da Rota da Seda (caminho secular que ligava a Europa à China) e à agricultura. A irrigação transforma o país num dos maiores produtores mundiais de algodão e, ao mesmo tempo, provoca uma catástrofe ambiental no mar de Aral. Ex-república soviética, sua transição para a economia de mercado traz aumento do desemprego e da pobreza. Politicamente, a nação continua sendo uma ditadura.


HISTÓRIA

Durante o primeiro milênio antes de Cristo, a região é berço da civilização bactriana. Desenvolve-se aí uma cultura original, síntese de elementos indianos, persas e gregos. É conquistada pelos persas (século VI a.C.), pelos macedônios (século IV a.C.) e pelos turcos (século VI d.C). No século VIII, o Uzbequistão é incorporado ao Império Árabe, retornando mais tarde ao controle turco. O conquistador mongol Tamerlão invade o território no século XIV. No século XVIII e no XIX fica dividido entre os canatos (reinos) de Bukhara, Khiva e Kokanda. Entre 1868 e 1876, a Rússia domina o país. Vitoriosos na Revolução Russa de 1917, os bolcheviques têm dificuldade em impor o poder soviético à região. A República Socialista Soviética do Uzbequistão é criada somente em 1924, com a divisão do Turcomenistão, e incorporada à União Soviética (URSS) no ano seguinte.


Independência – Em 1985, o início do governo reformista do dirigente soviético Mikhail Gorbatchov abre espaço para o movimento nacionalista no Uzbequistão. Em 1989 é criado o Partido da Unidade (Birlik), que impulsiona a campanha vitoriosa pela adoção do uzbeque como língua oficial em lugar do russo. O Soviete Supremo (Parlamento) do Uzbequistão proclama a independência em 1991 e o Partido Comunista, renomeado Partido Democrático do Povo (KDP), permanece no poder, aliado a Moscou. Em dezembro, o país adere à Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Nas eleições presidenciais do mesmo mês, o Birlik e o Partido da Renascença Islâmica são impedidos de concorrer. O presidente, Islam Karímov, elege-se e persegue a oposição.


Cerco ao extremismo islâmico – Em 1998, o Parlamento impõe restrições ao funcionamento de grupos religiosos, e centenas de ativistas islâmicos são presos. Atentados em Tashkent matam 15 pessoas em 1999. O principal acusado é o Movimento Islâmico do Uzbequistão, apoiado pela milícia fundamentalista Taliban, que detém o poder no vizinho Afeganistão. Por sua vez, Karímov dá suporte ao general da etnia afegã-uzbeque Abdul Rashid Dostan, um dos líderes da Aliança do Norte, grupo de resistência ao Taliban. O Uzbequistão anuncia, em 1999, sua saída do acordo de segurança da CEI em protesto contra o aumento da presença de tropas russas no Tadjiquistão. Nesse mesmo ano, assina tratado de cooperação militar com os Estados Unidos (EUA). Em 2000, o presidente Islam Karímov é reeleito, com 91,9% dos votos.

Em 2001, amplia-se a presença militar dos EUA, que utilizam bases militares do Uzbequistão na guerra contra o Afeganistão. No ano seguinte, Karímov estende seu mandato de cinco para sete anos, em referendo cuja legitimidade é contestada pelos EUA e por grupos de direitos humanos. Uma onda de atentados, em março e abril de 2004, causa pelo menos 47 mortes. O governo responsabiliza extremistas islâmicos pela violência. Em novembro, uma nova lei que restringe o tradicional comércio em bazares causa protestos inéditos, com milhares de pessoas, no leste do país. Em dezembro ocorrem eleições parlamentares, consideradas antidemocráticas por observadores europeus, já que a oposição não pôde concorrer.


Desastre no mar de Aral

Um dos maiores desastres ambientais e humanos da atualidade está em curso no mar de Aral. Nas últimas quatro décadas, esse grande lago, situado na fronteira entre Uzbequistão e Cazaquistão, perdeu mais de 60% de sua área, de 66,5 mil quilômetros quadrados, e 80% do volume de água.Na origem do problema está a política da antiga União Soviética de irrigar extensas áreas para a agricultura ao longo dos principais rios que deságuam no mar de Aral: o Amu Dária e o Sir Dária. O projeto de maior impacto desviou o leito do Amu Dária para a construção do canal de Karakumskiy (1,1 mil quilômetros), que passou a fornecer água às lavouras uzbeques de algodão. Entre outras conseqüências, o recuo da superfície do lago ampliou as áreas desérticas e diminuiu a flora e a fauna. O aumento da salinidade e a escassez de água conduziram a enorme degradação das regiões próximas.

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